Hoje começa a série sobre desordem bipolar, onde eu espero que o feedback dos leitores ajude a tornar o material mais útil. Todo o material será postado no blog aos poucos. Naturalmente, numa publicação mais acabada, será organizado numa ordem mais confortável aos leitores, mas aqui vão aparecer segundo a lógica da demanda de quem pergunta ou de algum outro estímulo temático.

Me perguntaram se não temo plágio, disponibilizando esse material assim no blog. Não, não tenho: em primeiro lugar, porque tudo que comento de natureza técnica está no contexto da minha vivência como portadora, que é única e intransferível. Em segundo lugar, porque ninguém seria louco de copiar um argumento que é essencialmente execrado pelo “mainstream” da psiquiatria.

Antes de embarcar nessa empreitada, passei dois anos sendo estimulada por amigos e parentes que sentiam que minha experiência bem-sucedida deveria ser partilhada com o público. No entanto, ao mesmo tempo, outra parte de colegas e até “amigos” (em certo sentido) insistia em me alertar para não confrontar o mainstream psiquiátrico. Primeiro, porque consideravam errado. Achavam que mesmo diante da evidência de que 100% dos pacientes tratados nessa linha permaneciam infelizes, que era por onde se deveria insistir. Segundo, porque consideravam que eu corria um sério risco de ser processada por famílias de pacientes que lessem meu material, abandonassem o tratamento convencional e cometessem suicídio.

Assim, talvez a primeira coisa que deva ser claramente dita aqui, é que, eu NÃO RECOMENDO, em momento algum, por mais virulentas que sejam minhas críticas e evidências apresentadas contra a indústria farmacêutica, que o tratamento medicamentoso para desordem bipolar seja abandonado. NÃO RECOMENDO NADA, aliás, exceto a eterna busca pela felicidade e bem-estar. O caminho é por conta de cada um. Aqui eu conto sobre o meu e apresento um conjunto de informações e evidências que podem ou não ajudar outros a pensar seus próprios caminhos, o que absolutamente não me diz respeito.

Escrevam, comentem, sirvam-se: esse material, como tudo na Internet, está em eterna construção. Essa construção é coletiva – tão coletiva quanto essa estranha condição que nos afeta a milhões, misto de benção e maldição, que desafia nossa capacidade de conviver com o desconhecido e o diferente.

 

Marilia