Esse fim de semana tomei parte do meu primeiro campeonato de powerlifting propriamente dito – até agora, só havia competido no supino e no terra, “single lifts” como a gente diz. Eu não tinha idéia de como seria meu desempenho, pois embora tivesse sido parte da equipe de apoio de outros campeonatos, nunca havia sido atleta. Como diz a Suzan, foi o “pré-vestibular”.

Meu principal medo era o agachamento, mas foi excepcionalmente fácil. Fiz uma marca não estupenda, mas não medíocre de 132kg e senti que estava muito abaixo do que podia fazer. Senti a barra realmente leve. Fiquei decepcionadíssima com meu supino e meio envergonhada, pois sabia que a equipe contava com ele. Sou uma supineira forte, 75kg seriam fáceis para mim. A segunda pedida de 75kg subiu mas não encaixou e a terceira… sinceramente, não foi erro: foi total falta de força. Senti que meu músculo morreu e não reconheci a sensação. Então fiquei apavorada, achando que não conseguiria fazer o Terra. Pedi ao Gilson que colocasse uma pedida ridícula, só para que eu não fosse desclassificada. Ele abriu com algo como 100kg, só para constar. No fim, fechei com os 3 levantamentos válidos e com 127,5kg, coisa que me pareceu leve como um treino.

Pessoalmente, foi uma experiência sensacional, que serviu não só para que eu perdesse medo dos dois outros levantamentos (agachamento e terra, no qual eu havia desmaiado no campeonato brasileiro de 2006) como para que eu entrasse num banco de supino com um pouco mais de respeito e humildade.

Fiz o que meu técnico pediu: não fui para fazer marcas, e sim para aprender, e aprendi – acho.

Quanto ao campeonato, como sempre, o clima é amistoso e agradabilíssimo. Fiz novos amigos, todos se apoiaram e mais uma vez comprovei o que já sei: nesse esporte, somos uma irmandade unida. Independente das equipes, todos se ajudam e se incentivam.

Francisco Telles organizou um campeonato de excelente nível, garantiu a presença de uma equipe de apoio médico, coisa que considero um exemplo a ser seguido em outras competições. Quase morri do coração quando o Rodrigo, que considero o melhor atleta de supino de sua categoria (equipe Valdecir Lopes), falhou e a barra caiu em seu abdômen. Não apenas por ser um atleta, mas também porque os “meninos do Val”, como os chamamos, são quase nossa família. Rodrigo foi atendido imediatamente. Também o Thiago Grahl passou mal no agachamento e foi prontamente atendido. Assim, a presença da equipe médica foi muito importante e nos deu uma segurança adicional.

Se desse para conseguir algo assim nos outros campeonatos seria muito bom, mas não sei se teremos condições… O Telles deu um belo exemplo, mostrando que é um esforço relevante.

Saímos todos cansadíssimos (foram 90 atletas, quase 45% a mais do que no ano anterior), às 3 da manhã, mas felizes.

Agora, voltar ao “mundo real” é que está sendo péssimo. Stress total, herpes, falta de fome… tudo errado. Agora é treinar para o próximo momento de prazer e realização, que será o Paulista em Guairá.

 

(cobertura completa no Portal do Ferro, amanhã)

 

Marília

BodyStuff