Aos doze anos comecei a ter esse sonho recorrente. Eu estava na praia e de repente várias coisas aconteciam: o tempo fechava, a praia se tornava íngreme e curta, o mar forte subia quase até a restinga e a água se tornava escura. Então uma onda qualquer me apanhava e a correnteza me puxava para o fundo, onde enormes ondas me jogavam de um lado para outro, em caldos infernais. Eu tentava nadar para a praia, mas a correnteza não deixava. Tentava gritar, mas ninguém me escutava.

Um dia tive um sonho diferente. Eu estava na praia com meu pai e vi se formar a maior onda que jamais havia pensado existir. Algo absurdamente gigantesco, uma “dyno-wave” coisa de centenas de metros de altura, mas não uma Tsunami. Onda, mesmo. Só que ela não quebrava. Ficava ali, parada… Eu e meu pai encolhidos, olhando, com a certeza da morte por esmagamento sobre milhões de toneladas daquele monstro. Que, no entanto, não se movia…

Às vezes me sinto assim, numa calma que antecede uma onda destruidora. A expectativa corrói a alma.

 

Marilia

 

BodyStuff