Há quem diga que foi tudo errado. Há quem ache genial.

Errado não foi, genial não sei se existe. Esse ano, eu fiz quase tudo do meu jeito e deu o que tinha que dar. Eu gostei, quase sempre, aprendi sem gostar, às vezes, e abominei em outras. O que importa é que fiz do meu jeito.

Eu saí do país duas vezes: uma para Villa Maria, Argentina, outra para os Estados Unidos. Foi quando eu fui mais feliz. Não porque eu tenha vencido campeonatos ou quebrado recordes, coisa que eu fiz, mas porque eu tive a chance de praticar minha arte em tribo, acertei meu passo, voei com pássaros de mesmo vôo. Eu não devia ter ido? Devia? Não importa: eu fui, e abusei do direito de ser feliz.

Dói viver tão longe dos pássaros de mesmo vôo. Mas quem disse que a felicidade é gratuita ou indolor?

Meus primeiros dois livros da “nova encarnação” saíram esse ano. Saíram perfeitos? Lógico que não. Graças aos deuses, foram publicados, caso contrário eu teria re-escrito ambos mais umas três vezes. Tenho críticas a eles, mudei de opinião quanto a métodos e abordagens e já não estou exatamente no mesmo terreno de reflexão.

Mesmo assim está aí, para todo mundo usar, criticar, re-construir. E eu fiz do meu jeito.

Como sempre, eu fiz um monte de besteiras no trato comercial e com grana em geral. Me deixei enrolar, explorar, deixei oportunidades passarem e perdi outras. Mas esse ano eu inovei: identifiquei algumas canoas furadas antes de afundar com elas, não é sensacional? Não, não é. Deveria ser o default. Mesmo assim fico contente porque eu consegui e, melhor que tudo, fiz do meu jeito, do meu jeito nada delicado, um pouco atrapalhado, freqüentemente violento. Mas é o meu jeito.

Amei muito profundamente meus poucos verdadeiros amigos. Sentei no chão e fiquei com dor de barriga de tanto chorar com doença de um, larguei tudo e peguei estrada para olhar nos olhos e abraçar outro que sofria e chorei as mais verdadeiras lágrimas de alegria com o triunfo de um terceiro. Foi noutros tantos, que estavam aqui no Brasil, que eu pensei quando tirei a bunda do chão com uma barra carregada de um recorde histórico nas costas. Beijei-os, soquei-os, briguei com eles e ri com eles. É um estranho amor, mas é o que eu tenho, e eu dou do meu jeito.

Organizei muito mal o meu tempo, fiz coisas de madrugada, correndo contra o relógio, culpa do caos anterior. Claro que foi errado. Só que daquele caos de aparente irrelevância nasceram idéias que eu ando curtindo. É um jeito esquisito de fazer as coisas, mas é o meu jeito e foi assim que eu fiz muita coisa que deu certo (e outras que deram errado).

Botei de molho, esse ano, muito do que se considera intocável no treinamento de alto rendimento. Resolvi colocar à prova minhas hipóteses nada ortodoxas. É uma porra-louquice, é uma irresponsabilidade, não se faz isso quando um título Sul-americano ou mundial estão em jogo. Mas eu sou porra-louca e meu espírito de aventura é muito mais forte do que o desejo por títulos. Eu treinei híbrido, testei tudo, me machuquei, me curei e fiz tudo do meu jeito. Diga-se de passagem, o resultado foi estupendo (como poderia não ser).

O ano de 2011 foi de longe o melhor que eu vivi até hoje. A síntese dos últimos 6 anos, contados a partir do momento zero em que resolvi confrontar a terminalidade, vivendo como terminal, com intensidade total. A Força em primeiro lugar, sem concessões a nada, nem a ninguém. Por isso mesmo, com muito poucos ressentimentos. Que pena que eu não vivi somente desse jeito antes.

Porque esse, e não outro, é o meu jeito.