Não tenho acesso a números precisos, mas divulgações diferentes indicam que em 2005 a FUVEST teve 150.668 inscritos e o Censo escolar deste mesmo ano indicou que 580.462 estudantes estavam matriculados no terceiro ano do segundo grau aquele ano. Isso dá uns 30% do total de formandos do segundo grau fazendo pressão às portas da universidade pública no Estado, tirando as federais.

Eu quis olhar estes números para colocar um norte qualquer na minha percepção de que a grande maioria dos excluídos – estudantes pobres, de escolas públicas ou não, mas culturalmente distantes da elite – nem perde tempo prestando vestibular nas públicas.

Eu passo umas duas a três horas do meu dia na favela de Paraisópolis. Entre meus amigos e colegas, duas estudantes de Educação Física – ambas em universidades privadas. Meu parceiro de trabalho, técnico e amigo também é Educador Físico formado em uma universidade privada. Nenhum dos três sequer pensou em prestar FUVEST. Dois certamente teriam passado, talvez os três. Perguntei por que não tentaram. Eles dizem que não é uma questão para eles. É assim e pronto. FUVEST é para “os outros”. Para gente com mais grana, mais inteligente (???), de escola particular.

Não tenho muito mais paciência para ler os debates sobre quotas. Todo esse bla bla bla é articulado por gente que nunca pisou em Paraisópolis ou nas paraisópolis do Brasil, gente que no fundo tem um certo desprezo pelo discurso destes que supostamente defendem, como se não fizesse diferença na análise.

Desculpem-me, senhores, faz uma diferença do cacete.

 

More later.

 

Marilia

 

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