Fiquei lembrando da brincadeira que fazemos entre alguns amigos quando nos perguntam se somos “naturais” – o que, no jargão da maromba, significa não utilizar esteróides anabolizantes. Como consideramos que se trata de uma pergunta muito mal-educada, a resposta varia entre esta, simplesmente irônica – “sim, sou natural… de São Paulo!” – até a mais grossa possível, para ilustrar o quanto nosso interlocutor também foi deselegante.
Mas dia 24 passado, em Igarapava, meu amigo Braulio, que nada de preconceito tem contra o uso de recursos ergogênicos, e que coordenava o evento do qual participei sobre treinamento de força, ressaltou para o público que eu era “natural”. Muitos não acreditaram.
Sabe o que? Fiquei euforicamente satisfeita.
De forma alguma isso implica que eu tenho algo contra o uso de anabolizantes – acho que deixei clara minha posição em outros textos. Mas de fato ainda não utilizei. Se os resultados que alcancei apenas com bom treino e dieta disciplinada sugerem, para a maioria dos observadores, produto de uso de esteróides, posso me considerar um caso de sucesso absoluto.
Os que sabem que não minto e acreditam que ainda sou natureba, em geral respondem: “nossa, mas que genética privilegiada”.
Verdade: provavelmente tenho uma genética e tanto.
Mas agora, sábado, às 14h, quando acabo de comer minha segunda ração do dia, um omelete de 10 claras de ovos com verduras e duas colheres de aveia, penso que há mais que genética nisso.

Marilia


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