Meu trabalho me proporciona uma convivência muito mais intensa e proporcionalmente maior com homens do que com mulheres: sou atleta profissional, professora e treinadora em esportes de força. Não existem homens magros nestes esportes. Uma parte não irrelevante pouco se importa com alguma adiposidade. Os super heavy weights (SHW) são gordos – não há como negar. São homens fortíssimos, mas são gordos.

Meus melhores amigos são homens fortes e alguns gordos, boa parte fora do Brasil.

Os homens que me chamam atenção e acordam meu olhar feminino são tipicamente os grandões, carecas e gordos. De novo: não são obesos, mas são gordos, têm percentuais não desprezíveis de gordura corporal. São os que eu considero belos, atraentes e sexy.

Uma parte deles têm dietas bonitinhas. Uma parte tem dietas lindas, perfeitas, absolutamente individualizadas e eles competem ano após ano na mesma categoria de peso. Mudam se for estratégico, seguindo uma rigorosa disciplina alimentar.

Mas uma parte não tem o menor pudor em admitir que come lixo. O lance deles são as pizzas, os big Macs, os sorvetões e outros ítens do tradicional menu trash-food.

O que eu acho disso? Perigoso pacas. Eles sabem o que eu acho. Sorriem para mim com aquele sorriso de cinco anos de idade e exprimem sua irresponsabilidade com seu melhor olhar “não brigue comigo porque eu sou fofo”.

Mas eles sabem que eu estou certa. Parte dos amigos gordos certinhos já foi gordo comedor de lixo. Hipertensão, diabetes tipo 2 e sustos terríveis fizeram com que eles adotassem outra atitude quanto ao rango nosso de cada dia. Entre os SHW, vários já estão mudando de estilo de vida.

Minha experiência mais íntima com a realidade dos gordos lindos, sexys e super fortes foi um deles, talvez o maior amor da minha vida. Ele era tudo de bom e sexy, só que a dieta dele era basicamente lixo com coca-cola. Toda refeição tinha que ter uma massa, caso contrário, ele não a concebia como refeição. O café da manhã era um bolo pulman inteiro e um copo de leite, uma espécie de heresia em nutrição esportiva (oito vezes menos proteína do que ele necessita e um monte de lixo). Tivemos inúmeras conversas para tentar negociar algum item do reino vegetal e chegamos a brócoli. Só. Nada mais. A única coisa verde fora brócoli seria talharini verde. Outra negociação complicada foi a água. Fiz tabelas e mais tabelas para ajudá-lo a consumir mais água (e menos coca-cola).

Isso parece cômico mas não é. Em meio a um período de stress agudo em sua vida, assisti, sentada num banquinho, esse lindo e grande atleta agachar e manter uma pressão de 20 por 13, sem alteração nos intervalos. Vi, impotente, o homem que eu mais amei ter um episódio de hipertensão intra-ocular e ficar cego no meu colo por algum tempo.

Nossa relação amorosa terminou e dela restou uma bela amizade e, espero, o brócoli.

Mesmo os atletas gordos uma hora se tocam de que tudo tem limite, que se tornar diabético aos trinta e poucos anos não tem graça nenhuma e não é o preço da glória. Performance excepcional e glória esportiva são possíveis com dietas sensatas, boas para o corpo e a alma.