Hoje fui fazer dois exames de ressonância magnética. Nunca tinha feito nenhum sem sedação. Por que? Ah, eu era claustrofóbica e depois botei na cabeça que minha hiper-atividade me impediria de manter a imobilidade. Recentemente resolvi que essa extensão “fóbica” ia sumir definitivamente da minha vida. Fobia é medo e medo é fraqueza. Não gosto de fraqueza. Aliás, abomino a fraqueza.

Isso parece feio, não parece? Mas não é. A fraqueza não é a falta de poder, e sim a falta de força. Amar os fracos não é amar os oprimidos. Em geral, é amar os opressores… É pela ausência de alguma força que o fraco precisa manipular, dominar, torturar e submeter. Veja só:

– O forte se basta. Se se basta, é livre. Se é livre, liberta. Ser forte é ser independente e auto-suficiente. Assim, o forte não tem nenhuma necessidade de prender o outro. O forte não precisa do outro e por isso pode ter prazer na presença do outro. O forte pode amar – o fraco não.

– Ser forte é ser completo – a incompletude é uma fraqueza. Assim, o forte não se apega – ele já está inteiro. Conseqüentemente, o forte não tem medo de perder nada. O fraco se apega, tem ganância, inveja e todas as emoções relacionadas à posse ou aos atributos externos da identidade. Ser fraco é precisar de aprovação. Ser fraco é precisar de rótulos, prêmios, títulos e tudo que na verdade, não existe… É inventado para suprir uma ausência – uma fraqueza.

– O forte não precisa vencer ninguém, só a si mesmo. Vencer a si mesmo é crescer. Ser forte é se dedicar a crescer. Ninguém cresce “em relação a” nada. Crescer é intransitivo – o crescimento é inteiramente auto-referente. Só os fracos precisam vencer os outros. Os fracos não crescem, chafurdam. Os fortes vão em frente.

– O forte é grato pelo reconhecimento de seu mérito. O fraco arranca benefícios não merecidos. Manipula critérios de legitimidade e validade. O forte tem mérito real (reconhecido ou não). O fraco não.

– O forte não tem medo: reconhece riscos reais e racionalmente lida com eles. O fraco tem medo. O medo gera ódio, inveja e violência. O forte vence os medos que nascem dentro dele. O fraco é escravo de seus medos.

– Por se bastar, o forte ama o outro. O forte enxerga o outro. Para o fraco, o outro é só mais um inimigo, ou um degrau. O forte tolera – o fraco segrega. O forte ama a paz – o fraco ama a guerra.

– O forte não tem medo da morte, porque vive plenamente. O fraco tem horror à morte, porque tem medo de viver. Por ter medo da morte, o fraco mata – o forte salva.

– O forte é sereno, porque aceita o que não pode mudar. O fraco força a barra, viola a realidade e se desespera. O forte tem coragem, porque tem força para mudar o que deve ser mudado. O fraco é covarde e se dedica a manter o que é errado.

Não amo a força por ser superior à fraqueza. “Algo” não é superior à sua ausência. Mas abomino a fraqueza por ser terrivelmente perigosa, por ser a origem de toda dor, todo o sofrimento e todo o preconceito humano.

A fraqueza é a mãe do erro.

A fraqueza é a mãe do Poder na sociedade.

A força é a mãe do Poder interior.