Quanto ao texto anterior sobre regras e comportamento ético:

1. trata-se da minha experiência pessoal, única e exclusivamente. Já fui atleta competitiva de outros esportes, aliás, um olímpico e bem elitizado: não sou nenhuma novata. Também estudei e estudo aspectos da tecnologia no esporte. Minha experiência me mostrou que as relações que observei são idênticas às que conheci antes no pior da violência política da guerra entre seitas: grupelhos partidários, igrejas e quetais. E DISSO eu estou fora. Acho que ficou claro que não se trata de “reclamação”, e sim de crítica racional. Detesto “reclamação” ou “choramingação”. Por um tempo, tentei fazê-las de forma construtiva (criticar para modificar no bom sentido). Não foi possível. O que recebi em troco pelo meu esforço construtivo, e quem me acompanhou há de convir que foi grande, foi apenas agressão.

2. Por favor, peço aos indivíduos que competem, treinam ou arbitram por esta ou aquela federação, particularmente à IPF, para não se incluírem gratuitamente em minhas críticas. Você agrediu algum atleta? Você pessoalmente acusou alguém ou ameaçou alguém? Então você não faz parte do grupo que criou e mantém o clima de terror que eu caracterizei. Quem fez essas coisas sabe muito bem que fez – não faz sentido nenhum se colocar no mesmo saco por pertencer à mesma organização. Por isso eu não me incluo em nada, nunca. No dia em que alguém das outras federações tiver algum comportamento reprovável, terei a consciência limpa de não ter sido parte da sacanagem, ainda que tenha participado de competições, ajudado em esforços técnicos, etc. NUNCA ganhar fora do tablado deve ser um princípio: na IPF, na WABDL, na CONBRAFA ou seja lá onde for. Quem transgride merece meu desprezo, não importa a filiação.

3. Novamente quanto à minha experiência pessoal: apesar de atleta de uma equipe filiada à IPF, fui extremamente bem recebida no Rio pelos dirigentes da CONBRAFA. A vice-presidente me alojou em sua casa; o presidente me ofereceu toda a infra estrutura necessária; a tesoureira me auxiliou em aspectos operacionais. E todos sempre souberam de onde vim. Garanto que você seria recebida da mesma forma.

4. O item 14.9 nunca foi aplicado aqui por falta de oportunidade, pois TEM QUE ser aplicado. Ou então, significará comprar uma grande briga entre a CBLB e a IPF internacional (por exemplo, não punir alguém que vá ao mundial de supino de Brasilia).

5. Quanto a ficar criticando: eu fiz duas críticas públicas, em forma de artigos. O “ciclo” de críticas para mim acabou, assim como acabou minha esperança e a credibilidade de várias pessoas que antes se apresentaram para mim como amigos. Agora me considero em outra. Que “outra”? Não, nenhuma federação. Ajudo a todos – não pertenço a nada e nem a ninguém, já disse. A minha é promover esse esporte e a equidade social, seja onde for e como for possível. Onde eu enxergar golpismo, interesses estranhos ao bem do esporte e dos atletas, caio fora. Simples assim. E eu não sou a única – talvez apenas a mais “vocal”.

6. O Caramello e o Vitz chamaram atenção para algo importante: trata-se de um esporte amador, só um atleta no país pode se dedicar a ele em tempo integral (e isso não é uma crítica, pelo contrário), todos nós temos um trabalho remunerado que nos toma tempo e energia e de onde TIRAMOS dinheiro para investir em equipamento, suplemento, transporte, etc. Uma parte de nós, eu incluida, não é mais criança: não temos mais tempo para acreditar na chantagem olímpica. Tenho vitalidade e vigor para fazer marcas AGORA, e não daqui a 20 anos. Quero contribuir AGORA, e não depois. Quero ver o esporte exercer um papel positivo na vida das pessoas AGORA, enquanto posso ter múltiplos papéis (ativista social, intelectual E TAMBÉM atleta). Quero ME DIVERTIR agora, e não sofrer stress e hostilidade por anos para “um dia” conquistar um comportamento ético para um ambiente onde meus netos possam ter carreiras esportivas mais bem conduzidas.

 

Marilia

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